GUILHERME GERAIS





































       




       
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Confira os dez destaques da exposição de fotolivros do Festival ZUM 2019

Text by Equipe Zum
First published on Revista Zum, online, November 2019

The Best of Mr. Chao, de Guilherme Gerais, Editora Madalena, SP

Nessa obra estranha, híbrido de fotolivro e manual de ciência moderna, Guilherme Gerais colabora com um programa de Inteligência Artificial na geração de poemas de inspiração dadaísta. Gerais alimenta o programa com imagens de objetos e insetos (nunca seres humanos), e a máquina responde descrevendo o que “vê” com palavras e frases. Falha miseravelmente. É por acaso, portanto, que o programa gera associações inusitadas, imprevistas justamente porque equivocadas. O resultado da parceria é um manual quebrado, um catálogo inútil de idiossincrasias semi-aleatórias que o artista chama de “Poesia computável”.

Gerais dá roupagem contemporânea à disjunção fortuita entre imagem e palavra, coisa e conceito, superfície (aparência) e símbolo (interpretação), terreno fértil para a arte das vanguardas desde o início século 20. “Arte é pensada a partir do futuro”, diz o breve texto de Timothy Morton que arremata o livro. “Este futuro é impensável. No entanto, aqui estamos nós, pensando nele”, escreve o filósofo. The Best of Mr. Chao incorpora esse enunciado paradoxal: com sua estética estéril e impessoal emprestada dos protocolos de documentação científica, o livro é uma ode à capacidade humana para imaginar o inimaginável, contradição irreconciliável à lógica racional das máquinas.